Andava sem rumo. Indeciso, sem saber o que fazer. Subia uma avenida movimentada no centro da cidade, cabisbaixo. A chuva se misturava ao suor de seu cansaço, andara por várias horas, sem direção. Parou. Um café simples ficava no cruzamento de duas avenidas. Respirou fundo, passou a mão pelos cabelos molhados e entrou, sentindo seu all-star encharcado. O local era até aconchegante, quente; ele sentia-se seguro lá. Se sentou num banco defronte ao balcão, pediu um café forte e doce. Tomou um gole. As memórias voltavam a ecoar... aqueles doces momentos agora pareciam se tornar cada vez mais amargos...
( ... Interpretar quadros no Louvre, numa viagem á Paris... ao lado dele.... Aquele doce e belo sorriso, que lembrava o crepúsculo na cidade-luz...
... A vez em que ele havia bebido um pouco acima da conta, e ele o carregara até em casa; cuidara dele, e ele implorava igual uma criança para que ele dormisse ao seu lado.
...Dífícil era imaginar que aquilo começara numa biblioteca, num esbarrão na faculdade. )
As lembranças amargavam sua boca, ele sentia falta daquele beijo... Amargavam sua mente, tristes e ao mesmo tempo felizes memórias! As lágrimas eram inevitáveis... o barman perguntara se estava tudo bem, com certeza pensara que ele era mais um bêbabdo que chorava por nada. Ele balançou a cabeça, negando. Tomou mais um gole de café quente. Ele não queria mais nada.
Ele simplismente queria ser feliz, queria um novo motivo, um motivo pra sorrir, como nunca havia sorrido, queria sorrir novamente.
Ele era seu motivo. Aquele que o deixava feliz... Mas não haveria mais ninguém como ele. Ele se fora.
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