Eu chorava. Botara pra fora tudo aquilo que por anos me fizera mal, que me transformou, que me tornou o que sou. Me sentia, como sempre, o estorvo, o problema, o inútil... Minha vida já não fazia NENHUM sentido, como nunca fez. Me iludi com o amor. Me iludi comigo mesmo. Me iludi querendo uma merda de uma família feliz. Me iludi com a VIDA.
Família feliz. Definição: Onde você encontra seu porto seguro, em quem confiar, realmente confiar. Constitui-se de um pai, uma mãe e um filho, ou mais. A minha era só a mãe triste, o filho problemático, o pai ausente e o padrasto megalomaníaco. Esse que pseudo me protegeu, e pseudo me teve como filho por nada mais nada menos que 14 anos, 14 invernos da minha vida. Digamos que o Führer era menos autoritário. Mantinha o medo de perder um dia a autoridade, e por isso feria todos a sua volta, até mesmo aquela que dizia que amava. O medo o fazia querer machucar mais aquele que o enfrentava. O corajoso? Eu. Eu que sempre engoli a seco, sempre utilizei de meu altruísmo absurdo... Pra proteger a única pessoa que amo e pra sempre amarei. Mas um dia a gente cansa, um dia o que fica preso na garganta simplesmente escapa. E escapou. As verdades saíram da minha boca como línguas de fogo, queimando os ouvidos do idhiótis ('abaixe seu tom de voz!'), que se enrubesceu e queria não ouvir. Mas tais verdades ninguém teve coragem de dizer a ele. Eu tive. E alguns vem e me dizem que isso tudo foi fruto da criação bruta dele (olha, tal como a do Führer, não?), em que o pai o castigava e ét cétera. E ele dizia estudar muito. Muito. Sabe o que digo pra ambas as considerações? 'QUE BOM'. Meu nome é um. O dele é outro. Não mereço mais isso tudo... Não mereço mais.
E assim, sinto-me sem direção. A pseudo família feliz agora são memórias amargas.
O lar não passa de ruínas.
Ah, o amor! Como pode-se perceber, o fraternal pra mim sempre foi um fracasso. Não é tão diferente do afetivo. Sempre achei que apareceria aquele príncipe, de cabelos desgrenhados, uma barba rala e óculos, vindo me buscar num chocobo ou numa airship, que me tiraria dessa minha realidade inútil e/ou fútil. Príncipe cujo abraço me sentiria mais protegido do que com escudos de titânio, Mithril ou seja lá o que for. Mas como sempre, nada mais que uma ilusão minha. Esse homem não existe (e tirei da minha cabeça que ele estava pra nascer). Sabe o que existiu nas minha poucas relações? Primeiro: Um idiota possesivo, que achava que me tinha com todos os presentes do mundo; Segundo: Aquele que pude chamar de segundo amor da minha vida. Inegável que este despedaçou, matou, e agora deixa só trevas no lugar do que chamamos de coração. Por culpa deste, agora me sinto suscetível a qualquer problema e/ou sentimento sem necessidade. Esse que teve a coragem de trocar beijos na minha frente (com uma que chamava de 'melhor amiga'), mesmo sabendo que ainda o amava, com toda a minha tolice; Terceiro: Um tolo que não sabia a diferença de amor e sexo (e eu sempre vinha com a parte do amor, e ele com o resto), que preferia esconder aquele que (pseudo) o fazia feliz e escolheu o hobby; Quarto: Um infanto que protegi. Um infanto que preferiu quem estava longe a quem estava perto (esse que vos fala); Quinto: Um que prometi dividir meu destino, e que me deu adeus com uma desculpa fútil, e logo se apaixonara por um dos meus mais caros amigos; Sexto: Outro que a distância me fez derramar lágrimas, e a falta deste me fazia mal. Ignorante, bastardo e hedonista. Sétimo: Um brinde aos tolos com quem me senti hedonista e chorei por isso. Esse foi um deles, um dos poucos. Megalomaníaco cujo sexo nunca me satisfez.
E não, acho que não haverá um oitavo. Não pretendo e me censurarei a procurá-lo.
Eu. Tolo inútil, que nunca entrou pra padrõezinhos da sociedade, mesmo se importando com eles. Tenho 17 anos e sinto como se tivesse 99 ou mais de 100, como se a morte viesse me buscar todos os dias e não viesse. Assim, preferi me esconder atrás de livros desde pequeno, dessas histórietas fantásticas que me deixavam mais forte, me fizessem um super-menino. O tempo passava, eu descobri o video-game (e me deixa orgulhoso até hoje a minha fútil vitória de ter zerado o Mario mais difícil na minha opnião aos simples 4 anos de idade), o Final Fantasy (que é sem dúvidas minha válvula de escape das pessoas fúteis, do mundo e de mim mesmo) e um complemento dos livros, os filmes (me entretem e me fazem pensar) e a música (meu caminho pra dimensões paralelas). Meu escapismo é inegável, não, caro leitor? Pergunte-me agora por quê, e te direi que as respostas que você procura estão em cada borrão que deixei nesse blog.
Eu não posso ser quem quero ser, e não quero me mudar. A ilusão é isso.
Minhas singelas palavras são só essas, por hoje. Minhas mãos ainda estão trêmulas e frias, talvez sejam os remédios demais que tomei. E preciso de mais alguns. Não tenho vontade alguma de sair desse quarto escuro, e de parar de ouvir meus cantores e bandas favoritos. Não sinto fome, não sinto vontade de nada. Não consigo mais chorar, creio que esgotei minhas lágrimas ontem. E não sei o que fazer. Estou sem rumo, e penso numa saída rápida, mas arriscada.
E agradeço por matar/desperdiçar seu tempo comigo.
E por agora,
Adeus.
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