quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Cordis

Pegou o coração, que dizia seu, jogou numa tábua na mesa. Do avental sacou uma dessas facas, e num desses gestos melodramáticos, dividiu as cordas do membro em duas. O coração ainda pulsava. Levou as metades ao ouvido, ouviu seus pulsares descompassados entre si: um em allegro con moto, de 4/3 vívidos, e um largo passionato, de um 3/4 valsante. Desejou dar seu coração pra servir de metrônomo; desistiu. Com alma que ainda tinha, um pouco dilacerada e com as mãos pintadas de vermelho, jogou as partes no lixo, e nem cogitou dá-las aos cães: não dariam boa música (e nem boa comida).

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