sábado, 10 de dezembro de 2011

Sábado, 10 de Dezembro de um 2011

A fumaça subiu, a lágrima desceu, a cerveja doce fingiu adoçar a garganta seca. Tentou desenhar borboletas no espasmo branco que dançava no ar, mas o vento era muito forte e o alvo se fora; restara apenas o braço arrepiado de frio, mesmo que a lã o cobrisse. Agradeceu por ter se contido. Corria ainda o sangue forte, o grito contido no pulmão sujo de cigarro e as mãos que desejam dar socos incontáveis em qualquer coisa que fosse. Mas fazia aquilo pra se livrar do sentimento bobo e do ímpeto que o temperamento lhe dava, somado a impulsividade que corria nos choques da cabeça. E porque amava. Não havia música. Não havia ninguém. Haver havia, mas ele a guardou pra si, só pra si. Só havia ele, aquela garrafa marrom, o cigarro queimando, o vento frio e a praça qualquer.

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