As palavras que trocamos só tão sujas do sangue seco que pingou das feridas, meu amor. Tão frias do medo seu, como tá essa noite, desse céu chuvoso. Mas meu coração tá quente de novo. Igual tava antes. Igual vai tar sempre que cê precisar dele pra tirar o arrepio do teu braço e do teu peito. Porque esse pedaço cheio de cordas de violino só toca as árias que você sabe, aquelas que a gente escreveu junto, naqueles papeis sujos que a gente fez de partitura, lembra? E lembra, amor, que eu só danço a valsa que você é o meu par (e a única que eu sei dançar, com esses pés esparramados, feios e cansados das pedras que teve que calçar). Desculpa o seu amor, desculpa. Porque ele também tá machucado, mas precisa ainda ser mais forte, pra te fazer forte. Porque ele te ama, porque ele te quer, porque ele te vuole bene. Perdoa? Mesmo que de novo? Já perdi o trem das onze, amor. Tá frio, mas tô quente, sabe? Meu coração bate, eu tô vivo! Vivo, no adjetivo e no verbo. Mas no verbo eu tenho complemento, que também é motivo, que é a segunda pessoa do singular, tu. Sei que a minha cama não vai te ter pra ficar confortável, porque existe travesseiro e música melhor que o seu peito pra me fazer descansar não. E cobertor melhor que o teu corpo não tem. Mas vou, e vou. Chegou o trem, preciso parar de escrever. Acalma teu coração, lembra do meu. Acalma tuas palavras, lembra da minha boca. E acalma tua mente, lembra de mim.
Daquele que nunca vai te esquecer, te deixar ou das coisas ruins que o mundo tem.
Te amo, que vem com umas palavras latinas, ad eternum.
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