domingo, 29 de janeiro de 2012

Carta na garrafa

Diziam os mais velhos que os ventos do sul traziam as febres palustres, sopra em horas incertas das bacias lacustres em direção às cidades, vilas e povoados, arrebatando os mais fracos de ardor. Te mando essa carta, amor, queimando e sem saber o que fazer. O mar tá lá fora, na ressaca, e a lua brilha transformando aquelas águas salobras em prata. A cama tá aqui, nessa casa minha de pescador, quente e fria: quente por mim, frio por um lado que sobra. O seu, amor. Queimo de febre, esfrieço de saudade e não tenho as suas mãos doces pra cortar o mal que o bendito do vento me fez. Pra você soprar vento de amor no meu rosto, curativos de beijo e palavrinhas suaves e sussurradas no meu ouvido. A vela tá acabando, e a minha luz tá afogando, e minhas palavras vão ficando por aqui. Eu amo você, e tenho certeza que você me ama. Mas agora é hora de ficar aqui, e você aí. Mas saiba que eu tô contando os dias pra você voltar.

Um beijo bem dado de até bem breve, e um cheiro no seu pescoço pra não esquecer seu perfume.

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