Diziam os mais velhos que os ventos do sul traziam as febres palustres, sopra em horas incertas das bacias lacustres em direção às cidades, vilas e povoados, arrebatando os mais fracos de ardor. Te mando essa carta, amor, queimando e sem saber o que fazer. O mar tá lá fora, na ressaca, e a lua brilha transformando aquelas águas salobras em prata. A cama tá aqui, nessa casa minha de pescador, quente e fria: quente por mim, frio por um lado que sobra. O seu, amor. Queimo de febre, esfrieço de saudade e não tenho as suas mãos doces pra cortar o mal que o bendito do vento me fez. Pra você soprar vento de amor no meu rosto, curativos de beijo e palavrinhas suaves e sussurradas no meu ouvido. A vela tá acabando, e a minha luz tá afogando, e minhas palavras vão ficando por aqui. Eu amo você, e tenho certeza que você me ama. Mas agora é hora de ficar aqui, e você aí. Mas saiba que eu tô contando os dias pra você voltar.
Um beijo bem dado de até bem breve, e um cheiro no seu pescoço pra não esquecer seu perfume.
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