domingo, 1 de julho de 2012

retratos de gravação de saudade I

Os bipes pareciam intermináveis. Nunca achei que essa ligação me pareceria ligar pra alguém que eu amei no passado e pedir pra voltar correndo - mas o amor desa vez era diferente: paternal - de pai, pelo pai. Me sujavam as mãos com os pulsares do coração, este que caira da boca e por pouco consegui segurar. Cessara o bipe.

- Pai?

"No momento este telefone se encontra desligado ou fora de área. Sua mensagem será enviada para a caixa de mensagens e será cobrada após o bipe".

E cobrou-se. Cobrou-se de mim mais saudade de tempos inexistentes, de uma figura etérea que existia na minha cabeça. Ou daquela voz, daquela postura. Dos olhos. Daquele cabelo engraçado. Ele.

Lágrimas. Agradeço, porém, que a terra ainda te tem por cima dela, e que esperança brilha verde nos meus olhos. Não desistirei.


continua...

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