domingo, 19 de maio de 2013

- Não chora, por favor.
Balançou a cabeça, prometendo que sim. Olhou nos olhos dele. No fundinho do fundo, onde só ele sabia ir. Falou umas besteiras, pra ele rir, pra cobrir a terra com aquele enorme sorriso. Quando menos imaginava, tudo sumiu. E doeu. E se fez dúvida, pergunta, questão. Ficaram no ar as palavras, deixou por contar-lhe a história de dias (os quais o moço do bonito sorriso achava que haviam feito bem um pro outro) que mais pareciam uma vida, sem respirar, preso numa gaiola. E aqueles olhos, que agora só viam o escuro, novamente se afogaram em desespero. Medo. Frio. Solidão. Tristeza. E todos os parentes, irmãos e familiares desses sentimentinhos obscuros que frequentam o fundo da mente. Quis escrever-lhe, implorar de joelhos pra que não o deixasse novamente... mas percebe que barras douradas o prendiam, e suas mãos jaziam vazias, apalpando o ar e respirando o frio. Trancafiado. Feito passarinho, mas sem o canto, porque voz já mais não tinha. A chave tava longe, no peito daquele moço que não quis mais.

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