da coléra que corte a garganta
sede de beber do teu vinho seco
gosto de fim, ressaca de começo
e fugir já não mais adianta
estou perto do fim
corre-me por dentro
do peito já és meu centro
roubado por tua voz de flautim
menino, és meu nêmesis
arauto divino destruidor
término arrebatador
belo fim, adônis
cortas, com teu medo
diga pra mim teu segredo
ama-me um dia
antes que acabe o tempo, antes que tarda, antes que eu me vá.
De ti, o sopro.
ResponderExcluirPois teu tempo só terá fim quando finalmente enfrentares teus fantasmas. Para as manchas do passado, um alvejante poderoso, feito de ti mesmo, despido de roupas de orgulho, nu de vergonhas, arrependimentos e coragens. Podes fingir não saber, mas entraste em minha casa, e não vieste só. Brincaste, mas das que de ti acompanhavam, todas sabiam que a felicidade passaria por ti, e só de revolução irias conseguir segurá-la. Ela te rodeia, mas é maior que tu, para entrar e ser entrado, só percebendo que ali cabe mais, bem mais que ti. Teu desafio, baixar a crista e entender a roda. Nem só de futuro vive um, nem tempo. Alarga teus dias enfrentando isso que te circula, que escutas e negas, mas sabes que aí estão. Estas e bem amarrado e sabes bem. Ogun. E cabe a ti entender o que te é reservado, cavar, encontrar e lapidar teu diamante. Entender que por mais que não pareça perfeito, não cabe nem a ti nem a mim julgar a perfeição. Olha no teu peito, olha nas tuas cicatrizes. Já achastes, fugiste e de ti escapaste, mas se bem fizeres, ela volta. E, naquela visita, elas te garantiram armas e escudos, que estão contigo, esperando para serem requisitadas. Ah felicidade, da impossibilidade ela não conhece, mas tu, sim, carimbaste ambas em teu passaporte. Segue teu destino sem fugir por atalhos, segue as placas que teu caminhar indica, ela estará a te espreitar, já cansada desta interrupção.
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