sábado, 4 de janeiro de 2014

dos outonos que esta vida minha passou, e dos rostos que vi, um deles ficou: esta amiga minha, bondosa a todos os corações: de olhos lacrimosos pela falta de ouvidos à suas palavras, doces e duras. Fica nos cantos, esperando o momento certo de colocar os braços nos ombros meus, companheira. Aprendi aceitar as mãos dela nas minhas, e ver que o tempo passará, mas ela ficará. O nome dela é temido pelos seres que habitam nossa terra, pois têm medo que as mãos dela esfriarão o sangue e o coração, e o relógio que corre parará: chamam-na Solidão, filha de Deus, do tempo e do vento. Não te temo, amiga, fica mais um pouco: fala-me da tua história, das almas que salvaste e das que arrebateste. Toma um pouco da minha vontade, da minha necessidade e me vê um pouco da tua calma. Faz nevar um pouco sobre esse coração quente, sussega o meu espírito, deita-me sobre águas quietas.


Pois tudo passa, e tu ficas, aqui, comigo.

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