domingo, 25 de maio de 2014

sopa

O gosto amargo que fica na boca, gosto de fim... é esse o gosto da solidão. É como se minhas mãos pequenas e fracas de infante que sou jogassem a tigela dum lugar alto, quebrando-na em mil pedaços feito estrela no céu, colorindo o lugar de amargura. As lágrimas bobas e teimosas são parte do choro: grito eterno, não-querer, inautônomo. Cansei-me dos aviões de carga que pousam na minha boca, do barulho insuportável e indurdecedor que têm, trazendo a carga do gosto de só que acaba com as terras minhas - me torna iroshima, nagasaki, desolação, desgraça, fim. Mas, como tenta dizer a mãe, na tenuidade da paciência e dos nervos, que o gosto passa,  o corpo precisa de alimentar pra viver. Forte pra continuar. Vida por começar. Força nascente, amargo de fim doce.

Nenhum comentário:

Postar um comentário