quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

napolitano

veio o napolitano, sentou num canto do café perto da janela, mas onde batia menos sol. Trajava um terno já meio batido e um desses chapéus de igual estado, que lhe dava um tez séria, colorida da barba escura meio rala - um rosto que me fazia questionar se era quente ou frio, alegre ou triste; misterioso. Pediu-me um espresso com aquela voz que discordante de sua aparência, dumas notas divertidas que casavam com aquele olhar de latin lover, os quais caminharam pelos meus olhos e corram até os meus pés. Sorriu. Enrubeci. Saí. Lhe trouxe o café e ele me segurou pelo braço - pediu que me sentasse. Me envergonhei. Saí, sem reação - ficando ao balcão, tentando maturidade e rezando pra que a meia luz escondesse as maçãs maduras do meu rosto.
O napolitano ficou, mas logo deixou o dinheiro sobre a mesa e se foi - nunca mais o vi.


Nenhum comentário:

Postar um comentário