quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Tempo e vento (nigrum cordis)

O quarto vazio, sem calor, sem frio. Eu nu, desprovido de defesas, sonhos e convicções. Medo era a minha pele. As marcas cobriam minhas costas, coisas que o mundo me fizera Atlas, sentir cada dor de cada coração que pulsa e o peso de um planeta que gira. Maldita empatia, maldita melancolia! O escuro do quarto não era nem um pouco do escuro que vive aqui nesse peito, e nem o vazio do quarto era maior que o vazio dessa alma. Pra quê corpo, pra quê alma, pra quê coração? 'Sofrer', o vento me respondeu. O tempo veio, e completou o vento: 'ser ferido'. E quem era eu pra questionar tais palavras.

Meu negro coração te trouxe, 
minhas memórias inquietas
completam teu passo
e assim fico sem teu abraço
por seu tempo
e seu vento
serem diferentes 
dos meus!


Mas contive as lágrimas, quis colo. Não os tive, quis fugir. Mas não encontrei pra onde. E assim me deixei levar, me contendo com meu quarto escuro e vazio, com a compania do tempo e do vento.

2 comentários:

  1. Tenho medo da sua treva, é tão oposta à sua luz que é difícil imaginar que as duas vivam juntas sem se destruirem.

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  2. É quase isso mesmo. Viver, pra mim, é sentir a batalha diária entre minhas duas forças.

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