sábado, 19 de novembro de 2011
Manifesto mal amado
Que necessidade é essa que temos de querer aventurar nossos corações? De unir lábios em um sorriso único ou de fazer de dois corpos um só, dividindo o mesmo espaço no universo? É essa necessidade, caríssimos, que mata nossos tempos, corta nossas cordas cardíacas e empobrece nossas almas. Amar, amar e amar... É o que aprendemos de casa, de escola, de vida. Pregam o amor desde o momento que nascemos até o momento que os pulmões apertam-se em sua última lufada. Ensinam-nos como amar, mas não como "desamar" e curar-se dele. Aprende-se que um homem só é feliz como pater familias, tomando o trono da casa, com filhos e um cachorro a seus pés, e a mulher como a matriarca, amada por todos, dona de seus filhos, comandante da casa e anfitriã de almoços dominicais. Amar se torna objeto de compra, de venda, de sociedade, de promessa de família feliz. "A vida ganha outra cor quando se ama", me disseram uma vez. E como conseguir que alguém te ame? Quiçá procures um desses anúncios que te o traga em sete dias, e gaste teus trocados em vão. Há uma fórmula - mais rápida pra uns, dolorosa e lenta pra outros - que consiste em, primeiramente, se vender a imagem (para que não se diga corpo e torne esse manifesto "vulgar"), que deve ser satisfatória ao olhos do outro, rastejar aos pés desse e vender-lhe o coração, em troca de jantares e companhia de algumas horas. E se não agrada, caro amigo, você já está louco de solidão, buscando braços que te queiram. Amar, querer ser amado ou qualquer coisa que envolva tal sentimento logo se torna um ciclo vicioso. Solidão se cura com amor, e coração só se cura com outro coração. Pergunta-se: mas o amor se cura com solidão? Ou seja, "dor" se cura com dor? Quiçá a solidão e a solitude não sejam dores, se comparadas ao amor. Aprende-se sobre si com elas, enquanto se aprende sobre o outro com o tal do amor. "Ama ao outro como ama a ti mesmo", disse aquele que chamam de grande homem. "Mas, sinhôzinho, me ensinaram apenas a amar o outro", responde-se. A solitude, se preferir algo mais eufêmico, deveria ser ensinada aos homem como uma escolha, uma forma de aprendizado, autoconhecimento. E não a imposição ridícula de amar e ser amado. Isso só acontece, praticamente, em livros e novelas. Abra os olhos: amor não é conveniência, nem pacto social que acalma sociedades (All you need is love que se foda!), é só uma carência de atenção. Necessidade de acalanto e braços que te esquentem. Sexo. Criação de dependência. Tristeza. Mas não é tudo. Viver com amor como objetivo maior é falho. Queira crescer dentro de si, conhecer cada trilha traçada no seu coração, que não foi feito só pra amar, mas pra sentir. Viva, só viva. Aprenda. Sinta. Pois esse é o real sentido, que é implícito ao olhos simples de reles humanos, necessário.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário