segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Conversa qualquer

Bendizeis, ó senhores! Vós possuem a sorte na palma de vossas mãos, e dela não fazem bom uso. Vejam-me bem, não passo de um casmurro judiado pela coisa que bate nos nossos corpos, a qual chamam de coração. Meu destino não passa de crueldade: conhecem vós a fábula de prometeu? Este deveria ser meu nome, por a deste ser minha sina. Caríssimos, trouxe para mim a chama do olimpo, e dela aqueço este peito. Mas pago o preço, amigos, e amaldiçoado fui. O meu coração agora não possa de um corvo negro, e se alimenta a cada dia da minh'alma e me tortura. Me regurgita a memória dos deuses, que pulsa pela chama, e me dilacera o interior. E creiam, a dor me faz verter rios de água salobra. Brinco que vivo num ponto íngreme dum precipício, um dia vivo, o outro, quiçá, morto. Mas vivo pela chama que me queima o peito, mas vivo.

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