Me pergunto
se é egoísmo, ou cegueira. As palavras tuas já cortejaram outros céus, outras
estrelas... te pergunto, astronauta, que veio de longe: que achas das minhas
galáxias e luas? Os versos que cantas, muitos a constelações, são mais belos do
que os que me cantaste? Sei das minhas cores, nebulosas, de minhas estrelas
frias (mas que brilham dum azul que não mais verás em canto do infinito) das
minhas luas que têm montanhas e lagos profundos, dos meus sóis e das minhas
novas... há muito o que se ver, senhor Astronauta. Sei que passou por terras
distintas, de diferentes sensações e tempo, mas diga, minha parte do universo
te satisfaz? E posso lhe perguntar mais, senhor? Mesmo caso tenha egoísmo
impregnado em minhas palavras? Lhe
perguntarei se o meu universo é digno de sua morada. Se meu sistema estelar é
único e diferente dos outros. E se merece menos medo de ser explorado, como sei
que explorara os outros – de nariz erguido e medo debaixo dos pés!
Peço
desculpas novamente, senhor Astronauta, caso tenhas se ferido com alguma coisa
que lhe ofereci nesta minha morada, e se por um tempo, não tenha lhe recebido
bem, por ter te exilado de cá. Mas creio
que não tenhas desistido daqui, e voltaste. Tivemos tempestades e calamidade
enquanto estivera fora, senhor. Mas voltaste. E o universo trouxe consigo a balança, recuperaste o equilíbrio; e o tornara melhor
dantes de que você partisse.
Sabes que o
tempo aqui é diferente do vosso. Aqui, as tempestades fazem o universo girar ao
contrário, e vivemos memórias do passado. Sabemos do passado de cada ser vivo
que pode ter memórias. Mas eu sou quem ri e chora de cada uma delas. Daí
nasceram os questionamentos, Astronauta. Vi nas tuas memórias os momentos
felizes, mas invejei-os: eram outras partes do universo.
Mas vi, vi
nos teus olhos, senhor, que o teu lugar é com a gente, dessa parte minúscula/efêmera
do infinito.
Espero que
aproveite de cada canto da galáxia. Bem vindo novamente.
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