quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Oração a São Thomé






































E começa um ano novo. E de novo não fica só o ano, mas novas sensações e adjetivo de algumas coisas. Ano passado aprendi o valor do branco da virada - paz - mais do que qualquer outra cor de significado bobo e de bons/maus porvires. Sem mil promessas, sem outras mil fazeres, as coisas me pareceram vir duma maneira tão natural, únicas - que antes eram tão distantes, visto o meu espírito que nunca se quieta, acalma, descansa... só acontecem.

A história começa numa cidade que brota das pedras, cercada de árvores e algumas cachoeiras que a cercam - um círculo mágico que parece atrair as nuvens pra baixo, terra e céu. O passo começa no passo: seguir por uma trilha cortando por entre as árvores e as pedras nunca me pareceu tanto caminhar por dentro de mim mesmo, vendo que nunca me pareci tanto com tal caminho. Caminhei. E o lugar fez o que faz para existir, me separou de céu e me trouxe pro chão (ou pelo menos me deixo na encruzilhada entre eles). Há muito perdi todo o meu crer nessas ideias do místico, do atrás do véu; são todos esses adjetivos que dão a tal da cidade e seus entornos e eu, cético que fui, quebrei todo essa barreira que tinha lá no meu fundo. Foi mesmo e só pode ser mesmo algo no mínimo mágico que me aconteceu: como tocar e caminhar pela água entre cachoeira e outro lavar tanto a alma dum ser?

Foi lá que o peso do mundo ficou pra trás e apareceu na minha frente um novo caminho pra trilhar, entre tanta pedra, tanta árvore, tanta água. O adjetivo novo fez sentido: e não foi só o peso que deixei, mas também alguns velhos hábitos, alguns velhos quereres, outras irritâncias. O desejo continua comigo, sabendo que é ele que move todas as coisas e a vida de cada um nada mais é que movimento, feito a água que vem de cima e corre pra baixo. E quero mais é me mover, valendo esse "me" -  saber mesmo a cada passo quem sou e quais são os desejos que me levam às trilhas corretas, às quedas necessárias, aos gostos precisos.

É, obrigado, São Thomé. Cheguei, vi e não pude fazer nada além de crer.

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