Um copo de café. Era o que me restou, se quisesse deixar minhas mãos ainda aquecidas, depois que os beijos que as dera esfriaram. Fiz questão que fosse um daqueles fortes, que minha mãe chamaria de "café de bêbado", pro cheiro amargo matar o adocicado que ele tinha na camisa ― ganhado pelos trilhas descompassadas que beijei no pano de listras ― e pra tirar o agridoce daqueles lábios, sujos dum sabor cigarro-cafeína, que o deixavam incomparáveis os quais detestaria em qualquer outro. Mas me sentia embriagada, e antes fosse culpa do álcool ou de cigarro, mas sim daquela voz de maré baixa que descansava meus ouvidos, daquele vocabulário culto que miniava minhas capitais... ai de mim! Piscavam as coisas perante meus olhos, e sentiam o vazio meus dedos: os olhos de ressaca foram-se e ficaram os meus, negros e solitários como essa noite, onde tudo é estrela; esvaziara-se aquela pele... quente, protetora, suave, única, areia quente.
E o vento e a lua levaram você de mim. E eu me pergunto: você volta quando a maré mudar?
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