Eram os dois menininhos - um grandão, porém de idade pouca, e um pequeno, séries na frente do primeiro - sentadinhos num desses brinquedos altos duma escola qualquer. Os outros corriam, mas eles não queriam acompanhá-los; preferiam falar de coisas triviais e dos gostos seus, fazer graça da vida que pouco conheciam, inventar mundos, acompanhar-se... o mais pequetito, parecia inquieto e balançava as pernas incessantemente, incomodado.
- Me vê uma rede?
- Pra que? A gente nem tá mais em idade de brincar! - disse o grandão, se engrandecendo mais ainda.
- Pras borboletas. Elas não param de me incomodar.
- Mas aqui nem tem jardim... e eu sei que na sua casa também não.
O baixinho sorriu e o sorriso logo deixou o rosto. Na cara do menino logo se estampou de dúvida e, confuso, apontou pra barriga, espiralando as pontas dos dedos nela.
- Não é em flor, não é em jardim. É aqui, sabe? Elas tão aqui desde que ocê chegou.
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